quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Brasil só vai investir 1/4 do que é necessário para infraestrutura de transportes



ônibus atolado
Ônibus atolado em estrada de terra. Estudo da USP mostra que Brasil precisa investir até 2003, R$ 1,09 trilhão em infraestrutura para transporte de cargas e de passageiros intermunicipais e interestaduais, mas na prática, só deve aplicar um quarto disso. Levantamento mostra ainda que só 14% das estradas brasileiras são pavimentados. Foto: Erico Razzera.
Brasil só vai investir um quarto do que é necessário para infraestrutura de transportes, diz estudo da USP
O ideal seria que os investimentos até 2030 somassem R$ 1,09 trilhão. Apenas 14% das estradas brasileiras são pavimentados.
Com estradas sem condições mínimas de tráfego que impedem o escoamento da produção e a interligação entre pessoas de municípios e estados diferentes e provocam a quebra em atoleiros de caminhões e ônibus; com uma malha ferroviária subaproveitada; com portos e aeroportos defasados e com carência de hidrovias; o Brasil deve continuar no atraso quando o assunto é infraestrutura para os transportes.
Pelo menos é o que conclui estudo de Real Estate, da Escola Politécnica da USP, de responsabilidade dos professores Claudio Tavares de Alencar e João da Rocha Lima Júnior. O mestrando é Flávio Abdalla Lage.
Apresentado na 14ª Conferência Internacional da LARES (Latin American Real Estate Society), o trabalho indica a necessidade de investimentos de R$ 1,09 trilhão para infraestrutura em diversas modalidades de transportes, seja de carga ou passageiros de caráter intermunicipal ou interestadual, até 2030.
O número teve como base os cálculos do Fórum Internacional de Transporte – ITF que revelam o seguinte: em 47 países do mundo, a média de investimentos anuais no setor, entre 2002 e 2013, foi de 1,17% do PIB – Produto Interno Bruto de cada nação.
Assim, calculando as estimativas do PIB brasileiro, o País deveria para manter, modernizar e ampliar sua rede de transportes, dispor de ao menos este total de R$ 1,09 trilhão.
No entanto, o que o Brasil vai desembolsar de fato R$ 240 bilhões, um quarto do necessário, de acordo com o PIL – Programa de Investimento e Logística, anunciado em meados de 2012 pelo Governo Federal.
Com este total do programa ou mesmo alcançando o nível ideal, outra conclusão do estudo da Politécnica da USP é que é impossível o poder público ser o único agente financiador destes investimentos.
Segundo o trabalho, os aportes do Tesouro para o BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social tiveram elevações nos últimos anos e agora seria necessário um ambiente mais seguro para a iniciativa privada começar a investir neste tipo de setor que requer grandes recursos de uma só vez em cada intervenção.
Além disso, o estudo mostra que o Brasil deve mudar o foco de investimentos, não privilegiando o transporte rodoviário, hoje responsável por 58% do transporte de cargas e algo em torno de 80% do transporte intermunicipal e interestadual de passageiros.
Mesmo assim, o trabalho acadêmico mostra que serão necessários muitos investimentos para que as estradas tenham padrões mínimos de eficiência.
Para se ter uma ideia do tamanho da gravidade da situação das estradas brasileiras, da malha de 1,5 milhão de quilômetros, apenas 14% são pavimentados. O resto é terra, lama e lodo.
Na China, este percentual é de 64%, na Rússia de 80% e na Alemanha, 100% das estradas são pavimentadas. Já no Canadá são 40% de estradas com pavimentação e na Austrália, 43%.
Diante disso, aponta o estudo da USP, para se ter um padrão mínimo comparado a outros países, o Brasil necessitaria construir 814 mil quilômetros de estradas e pavimentar outros 772 mil quilômetros. Em 86 anos, o Brasil só conseguiu construir e pavimentar 221 mil quilômetros de rodovias.
O estudo revela que o número de ferrovias deveria ser duplicado, subindo dos atuais 30 mil quilômetros para 60 mil quilômetros.
Do total de R$ 1,09 trilhão necessários até 2030 para que os transportes de carga e passageiros intermunicipal e interestadual possam ter estrutura adequada, os pesquisadores da USP recomendam a seguinte divisão:
– Transporte Rodoviário: R$ 607 bilhões
– Transporte Ferroviário: R$ 364 bilhões
– Transporte Hidroviário/Marítimo: R$ 85,5 bilhões
– Transporte Aéreo: R$ 33.3 bilhões.

Fonte:  por: Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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