quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Acidente com ônibus. De quem é a culpa? Treinamento mostra que este não deve ser o principal fator a ser levado em conta



treinamento motorista de ônibus
Ônibus da Região Metropolitana de Curitiba. Palestras e treinamentos constantes das empresas da capital paranaense e municípios vizinhos visam um trânsito mais seguro. Companhia de ônibus instrui motoristas que muito mais que saber de quem é ou não a culpa, o importante é agir para evitar as ocorrências de trânsito. Foto: Adamo Bazani.


Setransp e empresas de ônibus de Curitiba e região intensificam ações para redução de acidentes
Entidade que reúne companhias de ônibus promoveu palestra para instrutores de tráfego. Empresa reúne motoristas envolvidos em ocorrências para dar orientações e mostrar que muito que saber de quem é ou não a culpa do acidente, o importante é tentar evitá-lo
A segurança no trânsito depende de conscientização constante dos diversos agentes envolvidos, sejam pedestres, ciclistas, motociclistas, motoristas amadores e motoristas profissionais.
No caso dos condutores profissionais, em especial os motoristas de ônibus, a atenção deve ser ainda maior pelo fato de eles terem sob sua responsabilidade dezenas e até centenas de vidas de uma só vez, visto que dependendo do porte, os veículos de transporte coletivo podem transportar de 50 (micro-ônibus) até 250 (biarticulados) pessoas.
Palestras, trocas de ideias, dinâmicas e atividades de reciclagem dos conhecimentos são essenciais. Por que reciclagem de conhecimento? Porque o trânsito é algo dinâmico como a sociedade. Se o comportamento na sociedade muda, é claro que o trânsito também vai mudar.
O Setransp – Sindicato das Empresas de Transporte Urbano e Metropolitano de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana promoveu uma palestra destinada a instrutores de tráfego das companhias de ônibus sobre a realidade atual do trânsito da capital paranaense e das cidades vizinhas.
Foram expostos números atuais para mostrar aos instrutores as maiores incidências de acidentes e como evitá-los.
A palestra foi ministrada pelo diretor da Escola Pública de Trânsito, da Secretaria Municipal de Trânsito (Setran), Cassiano Ferreira Novo, que enfatizou o número de ocorrências envolvendo pedestres.
De 86 mortes por atropelamento no ano passado em Curitiba, o automóvel esteve presente em 45, seguido de ônibus (15), motocicleta (9), ignorado, ou seja, não foi possível apurar (8), caminhão (6) e trem (3).
Em Curitiba, o total de mortes no trânsito em 2013 caiu 14% em relação ao ano de 2012. Foram 263 mortes no ano retrasado contra 226 em 2013, quando 86 mortos eram pedestres, 76 ocupantes de motocicleta, 46 de automóvel, 14 de bicicleta, 3 de caminhão e 1 era ocupante de ônibus.
DE QUEM É A CULPA? PARA O TREINAMENTO, NÃO É O PRINCIPAL FATOR:
Quando ocorre um acidente de trânsito, logo uma das questões para diagnóstico dos problemas e registros de ocorrência é sobre de quem foi a culpa.
No entanto, na visão do instrutor de tráfego da Leblon Transporte de Passageiros e da Viação Nobel, Altair de Lima Mazur, que participou da palestra de segurança do trânsito promovida pelo sindicato das empresas de Curitiba e Região Metropolitana – Setransp, é importante sim determinar os culpados num acidente. Mas este não deve ser o principal fator a ser considerado num treinamento de motorista profissional porque o mais importante é instruir como evitar o acidente.
“Sempre procuramos mostrar aos motoristas no Grupo Leblon que o fato de não haver culpa não tira a responsabilidade total do condutor profissional. Afinal, ele recebe o preparo e possui a experiência que os demais motoristas no trânsito não têm. Mostramos também que, justamente por causa disso, sentir-se seguro ao volante é bom, mas o excesso de autoconfiança é extremamente perigoso. Trânsito requer cautela, precaução e os motoristas profissionais devem sempre conseguir prever as piores situações para evitá-las. Não basta apenas dizer: Eu não fui culpado” – explica Altair de Lima Mazur, que considerou positiva a iniciativa do Setransp em promover a palestra que, na visão dele, trouxe dados atuais e importantes para novos treinamentos nas empresas de transporte de passageiros.
Nesta terça e quarta feiras, dias 21 e 22 de outubro, o Grupo Leblon reune motoristas que foram alvos de reclamações por parte de passageiros ou se envolveram neste ano em alguma ocorrência de trânsito na qual não tiveram culpa.
O objetivo é discutir as situações em cada caso e poder evitar outros novos.
“Queremos aumentar a segurança e a satisfação dos passageiros, da comunidade em geral e dos próprios motoristas e cobradores. O intuito destes treinamentos, em relação às ocorrências de trânsito, não é punitivo, afinal, o motorista não teve culpa. Mas é discutir com ele, numa franca troca de ideias de forma democrática e dando a ele oportunidade de falar, como a ocorrência poderia ser evitada independentemente de quem foi culpado. Com isso, não apenas ajudamos na formação constante de bons motoristas de ônibus, mas de motoristas-cidadãos. Afinal, estes profissionais do volante também conduzem seus carros de passeio e suas motocicletas. Não é porque o profissional não está dirigindo um veículo de 13, 18, 28 metros de comprimento que ele deve se tornar menos cauteloso quando está à frente de um veículo menor” – diz Altair de Lima Mazur, que acrescenta.
“O ônibus não é uma máquina em si. É um veículo a serviço das pessoas. Nós do Grupo Leblon temos esta ideia de servir. E para isso, é importante sempre investir na qualificação dos funcionários, aos quais classificamos como colaboradores, para que toda a sociedade seja atendida com a qualidade que merece. Acreditamos que o investimento no funcionário é o melhor que uma empresa pode fazer.” – complementa.

Fonte: ,por: Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

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