sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Aumento das tarifas é única solução para 2015, dizem empresas de ônibus


aumento tarifa de ônibus
Ônibus em Mauá. NTU vê como positiva a ideia de os prefeitos da região metropolitana de São Paulo aumentarem as tarifas de ônibus seguindo as mesmas datas e valores da capital paulista. A proposta divide opiniões. Movimentos sociais dizem que não há lógica, por exemplo, uma cidade como Mauá, com 150 mil passageiros, 210 ônibus e linhas com 16 quilômetros de extensão ter o mesmo valor das passagens em São Paulo que possui vários tipos de integrações, linhas com 100 quilômetros de extensão, 6 milhões de passageiros e 15 mil veículos.

Empresas de ônibus dizem que única solução para os custos dos transportes é aumento da tarifa em 2015
Presidente da NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos diz que as tarifas estão com um déficit de 14% em relação aos custos de operação dos ônibus
O presidente da NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, Otávio Cunha, disse nesta quinta-feira, dia 20 de novembro de 2014, que não há outra solução para os custos dos transportes nas principais cidades do país a não ser reajustes das tarifas de ônibus em 2015.
Segundo ele, nas capitais com os maiores sistemas de transportes, o déficit das tarifas de ônibus em relação aos custos operacionais será de 14% até o final deste mês.
São Paulo, por exemplo, está sem reajuste desde 05 de janeiro de 2011. Em 02 de junho de 2013, as passagens de ônibus subiram de R$ 3,00 para R$ 3,20, mas após a série de protestos contra as tarifas em todo o País, o valor voltou para R$ 3,00 em 24 de junho de 2013.
Otávio Cunha disse que ou as tarifas de ônibus deverão ser reajustadas ou então as prefeituras e governos estaduais terão de aumentar ainda mais os valores dos subsídios.
E isso preocupa o representante das empresas de ônibus já que nem todas as cidades terão condições financeiras para aumentar estas subvenções, além de a prática comprometer o orçamento de outras áreas.
Se a cidade de São Paulo, por exemplo, quiser em 2015 manter a passagem de ônibus municipal em R$ 3,00, os subsídios podem ultrapassar R$ 2 bilhões.
O presidente da NTU explica que a defasagem das empresas de ônibus se dá pelo fato de que todos os custos operacionais aumentaram e as tarifas não acompanharam reajustes como dos salários dos motoristas e cobradores de ônibus, dos pneus, dos valores dos próprios veículos, que agora com tecnologia de restrição à emissão de poluentes mais avançada se tornaram mais caros, além da elevação do preço do óleo diesel que, segundo Otávio Cunha, desde junho de 2012 acumula alta de 38% enquanto que a gasolina tem reajustes de 23% acumulados no mesmo período, o que seria um incentivo ao transporte individual.
Ele ainda acredita que nem mais a desoneração fiscal pode ser encarada como uma medida de curto prazo para o que classifica de déficit nos sistemas de transportes. Isso porque, na visão do representante dos empresários de ônibus urbanos, não há mais margem para a redução de impostos e tributos como foi realizado em 2013

EMPRESAS DE ÔNIBUS PODEM ENTRAR NA JUSTIÇA CONTRA CONGELAMENTO:
O presidente da NTU, Otávio Cunha, também afirmou que muitos contratos assinados com diversas prefeituras e governos estaduais preveem aumentos de tarifas uma vez por ano.
Como isso não ocorreu, na visão dele, houve uma quebra deste ponto de contrato e as empresas teriam o direito de entrar na Justiça para reaver as eventuais perdas com os congelamentos tarifários.

AUMENTO PARA TODA A REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO:
O diretor institucional da NTU, Marcos Bicalho, vê de maneira positiva o movimento de prefeitos da Região Metropolitana de São Paulo de unificar as tarifas e datas de aumentos em relação ao que for adotado pela capital.
Seria uma forma de unificar custos e permitir integrações entre sistemas.
A proposta, no entanto, é vista com ressalvas por movimentos sociais e especialistas.
Segundo eles, uma cidade como Mauá, com 150 mil passageiros, 210 ônibus e com linhas de até 16 quilômetros de extensão não poderia ter a mesma tarifa da cidade de São Paulo com 6 milhões de passageiros, algumas linhas com cerca de 100 quilômetros de extensão e uma frota de quase 15 mil coletivos, além de permitir integrações gratuitas de 3 horas entre os ônibus e com valor considerável de desconto entre ônibus, trem e metrô.

Fonte: ,por: Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.,Com informações de Dimmi Amora – Folha de São Paulo

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