domingo, 30 de novembro de 2014

Movimento Passe Livre diz que não aceita aumento de tarifa em 2015 na cidade de São Paulo


ônibus
Ônibus em São Paulo. Movimento Passe Livre se diz contrário ao reajuste das tarifas em 2015. Foto: Adamo Bazani

Passe Livre diz que não aceita aumento de tarifa de ônibus em São Paulo
Se valor permanecer em R$ 3, subsídios podem ir para R$ 2 bilhões. Prefeitura já cogita o aumento

O MPL – Movimento Passe Livre, um dos responsáveis pelas manifestações em junho de 2013, formalizou nesta sexta-feira, dia 28 de novembro de 2014, nota dizendo que não vai aceitar aumento nas tarifas de ônibus municipais em são Paulo no ano que vem.
O valor está em R$ 3,00 desde 05 de janeiro de 2011. No dia 02 de junho de 2013 foi reajustado para R$ 3,20, mas após os atos, voltou para R$ 3,00 em 24 de junho.
Por causa do congelamento, a prefeitura de São Paulo vai ter de desembolsar neste ano em subsídios para as empresas de ônibus aproximadamente R$ 1,7 bilhão.
Se o valor continuar congelado em 2015, a estimativa é que os subsídios subam para R$ 2 bilhões.
As empresas e a prefeitura alegam que não é possível manter a tarifa no mesmo patamar porque os custos dos principais itens para operação de transportes tiveram aumentos, como óleo diesel, lubrificantes, salários de funcionários e até mesmo os chassis que estão mais modernos por causa das normas de restrição á poluição e mais caros também.
A prefeitura diz esperar a conclusão dos relatórios de auditoria sobre as contas do sistema pela empresa Ernest & Young, mas o aumento é tido como certo. O valor deve variar entre R$ 3,40 e R$ 3,50.
Na nota divulgada pelo Passe Livre, o grupo critica o fato de as empresas de ônibus terem lucro.
“Enquanto as empresas lucram cada vez mais em cima do dinheiro público e do nosso sufoco – maximizando os ganhos com a superlotação dos ônibus, a remuneração por passageiro, os cortes de linhas e as filas nos terminais – ainda se cogita aumentar o preço da passagem… Por que não se fala em tirar os lucros das empresas, ao invés de cobrar mais por um direito de todos? Desde junho de 2013, o subsídio das empresas só aumentou, sem qualquer diminuição nos seus lucros, ou mudança na forma de remuneração. Todo aumento da tarifa é um roubo porque cobrar pelo uso do transporte é uma injustiça. O transporte deve ser público, acessível para todos e não apenas para aqueles que podem pagar.” – diz parte do texto.
O grupo também criticou um eventual aumento em conjunto das passagens dos ônibus municipais de São Paulo, de cidades vizinhas, de intermunicipais e dos trens e metrô.
Os subsídios foram da mesma forma alvos de críticas pelo movimento:
“Em várias ocasiões, a Prefeitura se queixa do alto subsídio para manter a tarifa congelada, que já chega a quase 2 bilhões de reais. Mas desse valor, 400 milhões são só para manter o Bilhete Mensal, que um ano após a implementação é usado por apenas 1% dos passageiros! Para onde vai o dinheiro do Bilhete Mensal, se poucos estão utilizando? Esse dinheiro não seria melhor destinado para diminuir a tarifa para toda população? Ao mesmo tempo, hoje a prefeitura sequer sabe informar quanto lucram e quanto gastam de fato as empresas de ônibus. Uma empresa estrangeira foi contratada por R$ 4 milhões para investigar as planilhas de custos e seu relatório preliminar já indicou que as concessionárias fraudaram o caixa municipal em pelo menos R$ 30 milhões.”
O relatório inicial da Ernest & Young não fala explicitamente em fraudes. O documento aponta 640 falhas na contabilidade de empresas e cooperativas.
O prefeito Fernando Haddad não falou em suposta “má-fé” das empresas, mas em “amadorismo” no controle das finanças por parte das transportadoras.

Fonte: ,por: Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sugestão, Reclamações, Elogios, Comentários e Perguntas