sábado, 15 de novembro de 2014

Primeiro relatório de auditoria aponta 640 falhas nas contas dos transportes de São Paulo



ônibus
ônibus em São Paulo. Auditoria aponta flahas nas contas do sistema

INFORMAÇÕES FOLHA DE SÃO PAULO
O primeiro relatório da auditoria contratada pela Prefeitura de São Paulo para analisar as contas do sistema de transporte municipal apontou 640 falhas na contabilidade apresentada pelas concessionárias e cooperativas de ônibus. O trabalho, feito pela Ernest & Young, auditou os balanços entregues à prefeitura em 2012. Além das falhas, foi identificada uma diferença financeira de cerca de R$ 40 milhões entre o apresentado e o verificado. Os dados referem-se aos aspectos patrimoniais (bens, direitos e obrigações das empresas) e econômicos (apuração dos resultados no período). Segundo a prefeitura, o relatório “aponta que as empresas e cooperativas não seguem a totalidade das normas contábeis”. “Em resumo, elas não apresentaram o conjunto completo de peças contábeis, de notas explicativas e de documentos e/ou composições contábeis que suportem os saldos apresentados nas demonstrações financeiras. Além disso, em muitos casos, ao encontrar divergências e/ou inconsistências entre saldos contábeis e posições financeiras (conciliações) não foram capazes de apresentar justificativas para as referidas variações.” O relatório dividiu os 640 problemas contábeis em quatro áreas: ausência de divulgação; fragilidade nos processos; ausência de documentação; e ausência de conciliação. A maioria das falhas (246) é referente à fragilidade contábil. Segundo o relatório, por exemplo, as empresas não fazem atualização monetária nas contas e têm falhado ao explicar oscilações nas contas quando comparadas a anos anteriores. “A ausência dos referidos procedimentos podem acarretar em distorções nas demonstrações contábeis, visto que as contas patrimoniais e de resultado podem não estar refletindo a real situação”, afirma a Ernest & Young. A entidade com mais problemas (52) é a cooperativa Transcooper, responsável por 3 das 8 áreas operacionais do sistema local – nas zonas norte e leste da cidade. Outro relatório apresentado pela auditoria recomenda mudanças a serem adotados pelas empresas para que os problemas identificados sejam corrigidos. Segundo a prefeitura, o novo modelo, que deve ser adotado na próxima licitação do transporte, “se propõe garantir a existência de informações adequadas e padronizadas para o acompanhamento e fiscalização das atividades outorgadas pelo poder público”. O SPUrbanuss (sindicato das concessionárias) informou que não irá se pronunciar sobre os relatórios. “Iremos aguardar o envio oficial desta auditoria da Ernest & Young para análise e só então o sindicato fará sua manifestação.” LICITAÇÃO A previsão é que o relatório final da auditoria seja apresentado em dezembro. Ao contratar a Ernst & Young, em março, a previsão da gestão Fernando Haddad (PT) era de que o relatório final fosse apresentado em julho, mas o prazo foi adiado duas vezes. O objetivo da auditoria, contratada por R$ 4 milhões, é avaliar a contabilidade informada pelas empresas de ônibus, calcular custos com frota, funcionários e insumos (como combustível e pneus), por exemplo, estimar margens de lucro e avaliar a qualidade dos serviços. Além de checar a consistência das finanças, a auditoria também servirá de base para a nova licitação do transporte, prevista para 2015, e para atualizar o modelo de cálculo da passagem e da tarifa paga às viações. A auditoria foi lançada no ano passado, na esteira dos protestos de junho de 2013. A previsão inicial era de que o trabalho levaria 12 meses, mas a prefeitura pressionou a Ernst & Young para encurtar o prazo. Em Belo Horizonte, uma auditoria feita pela empresa levou ao aumento das passagens em abril. O trabalho foi questionado pelo Ministério Público e o aumento chegou a ser suspenso pela Justiça, mas depois foi liberado. Os contratos com as empresas de ônibus venceram em julho do ano passado. A gestão petista chegou a abrir uma licitação de R$ 46 bilhões, mas cancelou a concorrência por causa dos protestos. Para evitar a falta de ônibus nas ruas, Haddad assinou contratos emergenciais com as mesmas empresas, com duração de um ano. A expectativa era lançar a nova licitação antes do vencimento desses contratos, mas a gestão esperava ter em mãos o resultado da auditoria. Como ela atrasou, foi preciso assinar novos aditamentos, por mais um ano.

INFORMAÇÕES FOLHA DE SÃO PAULO

Fonte: ,por: Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

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