terça-feira, 3 de novembro de 2015

Modelo de licitação dos transportes pode superlotar ônibus, diz especialista

Ganho de produtividade, que representa atrair mais gente para o sistema, e tempo de contrato são criticados

ônibus
Ônibus em São Paulo. Critério de produtividade pode aumentar lotação em cada veículo, acredita especialista


A licitação dos transportes coletivos da cidade de São Paulo, que remodela o sistema, também interfere na remuneração das empresas de ônibus, que diferentemente de hoje, não vão ganhar apenas por passageiros transportados.
Há um conjunto de índices, entre os quais, 50% da remuneração serão por usuário atendido, 25% por cumprimento de partida, 15% pelos investimentos realizados e 10% pela oferta de veículos exigida.
Além desta remuneração básica, as empresas podem ganhar mais se um número maior de pessoas for atraído para o sistema de transportes coletivos.
O objetivo, segundo a prefeitura, é estimular as empresas a criarem diferenciais de qualidade, despertando o interesse de quem não costuma usar os transportes públicos com constância.
Mas, segundo o professor da Escola Politécnica da USP – Universidade de São Paulo, Mauro Zilbovicius, em entrevista ao jornalista Bruno Ribeiro, de O Estado de São Paulo, o critério de produtividade pode estimular as empresas a andarem com os ônibus mais lotados para justificarem um possível aumento de passageiros.
Ele explica que a produtividade deve ser ligada não ao número maior de passageiros, mas ao maior número de quilômetros percorridos por cada ônibus no sistema.
O especialista também critica o tempo dos contratos, 20 anos renováveis por outros 20.
Segundo Zilbovicius, o tempo é muito longo e dentro deste prazo, pode haver diversas alterações tecnológicas e na própria configuração da cidade que não serão acompanhadas por causa do engessamento de edital. Ele comparou com o modelo de Londres, cujas concessões são por linhas de ônibus e o prazo é de cinco anos.
Ao “Estado”, o secretário municipal de transportes, Jilmar Tatto, diz que o edital tem uma cláusula que permite alterações a cada quatro anos e que o tempo de 20 anos é adequado para retorno dos investimentos das empresas visto que a idade dos ônibus deve respeitar dez anos, com média de cinco anos.  O secretário disse também que Londres tem um sistema de ônibus mais consolidado que se integra com uma rede maior de metrô.

Fonte: ,por: Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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