segunda-feira, 16 de novembro de 2015

PREVIDÊNCIA SOCIAL: Greve de médicos do INSS atrasa 600 mil perícias

Resultado de imagem para previdencia  socialSegurados enfrentam dificuldade para obter ou renovar benefício por causa da paralisação dos peritos, que completa hoje 71 dias sem previsão de acordo.

Rio - A greve dos médicos peritos do INSS, que hoje completa 71 dias, adiou 600 mil perícias, segundo balanço do órgão, prejudicando milhares de segurados que ficaram sem o salário e sem receber o benefício. A paralisação fez ainda com que o tempo médio de espera para agendamento de auxílio-doença ou renovação mais do que dobrasse, passando de 20 para 49 dias. E a situação dos segurados pode ainda piorar, pois os servidores administrativos da Previdência, que pararam por 80 dias este ano, fazem assembleia dia 17 para decidir se voltam à greve novamente.

Para a auxiliar administrativa Geisa Cardoso, 29 anos, pedir o auxílio-doença foi um tormento. Com diabetes gestacional, ela foi afastada do trabalho no dia 3 de setembro, por sua médica, e foi várias vezes à agência da Praça da Bandeira para dar entrada no pedido de benefício. Só depois de dar à luz, em 26 de outubro, conseguiu ser periciada na sua quinta tentativa, na última quarta-feira.

“Foi um sofrimento. Estava grávida e tive de voltar aqui cinco vezes”, contou ela, que ainda encarou a agência fechada por duas vezes devido à greve dos servidores administrativos, terminada em 28 de setembro.

“A empresa me pagou os 15 primeiros dias. Mas fiquei sem salário o resto do mês e outubro. Vou receber o retroativo”, disse.

Sem poder andar, a auxiliar de cozinha Edileia Conceição, 38, também foi afetada pela paralisação. Em abril, ela sofreu acidente e teve fratura exposta no pé direito. Naquele mês, conseguiu pedir o benefício, mas teria de renová-lo três meses depois. Como não conseguiu marcar o reagendamento, deixou de receber o auxílio por três meses.

“Tenho três filhos e ainda estou nessa situação. Não posso ficar sem o dinheiro do benefício”, reclamou ela, que também foi à Praça da Bandeira essa semana.

Na conta da Associação Nacional dos Médicos Peritos, o prejuízo da greve da categoria é muito maior. Eles prevêem que 1,2 milhão de pessoas estejam afetadas.

A categoria reivindica 27% de aumento em dois anos, redução da carga semanal de 40 para 30 horas de trabalho, reestruturação da carreira e fim da terceirização. Segundo o INSS, atualmente há 4.378 médicos peritos, com salário que varia de R$ 11 mil a R$ 16 mil para de 40 horas. O INSS afirmou que está negociando com a categoria para retomada dos serviços. O órgão efetivou o corte de ponto de peritos que deixaram de trabalhar e descontou os dias parados.

A perícia médica é requisito para benefícios de auxílio-doença. O INSS passa a pagar o benefício 15 dias após a licença concedida pelo médico do trabalhador. O exame também é necessário para aposentadoria por invalidez, aposentadoria especial e reconhecimento de acidentes de trabalho.

Levantamento feito ontem à tarde pelo DIA no site da Previdência mostrava que os prazos para agendamento no Rio variam entre o dia 18 deste mês até 4 de abril de 2016. Na Baixada, vão até 18 de janeiro e em São Gonçalo, 6 de janeiro.

Agendamento está mantido

Apesar da greve dos peritos, o atendimento para perícia está sendo agendado pelo INSS, que dá prioridade para as perícias iniciais. Segundo o gerente-executivo da Gerência Centro do Rio, Flávio Souza, o pedido pode ser feito pelo 135 ou pelo site da Previdência. “Estamos mantendo o atendimento com 30% do efetivo”, informou Flávio.

De acordo com o presidente da Associação Nacional dos Médicos Peritos, Francisco Cardoso, quem recebe auxílio e já pediu a renovação não pode ter o benefício suspenso. “Mesmo que a pessoa não tenha feito nova perícia, o agendamento garante a manutenção do benefício”.

Nova greve de servidores administrativos

Quase dois meses após retomarem as atividades, funcionários administrativos do INSS no Rio prometem nova paralisação a partir do 24 deste mês. A categoria alega que o governo não está cumprindo termos do acordo, que prevê reajuste de 10,8% em dois anos, entre outros benefícios. Diz ainda que houve apenas a devolução de dias cortados.

O INSS nega e diz que todos os pontos estão em andamento e alguns já foram atendidos.


Fonte: O Dia Online,por PALOMA SAVEDRA

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