terça-feira, 7 de junho de 2016

SINAL AMARELO: Empresas de ônibus não pagam reajuste salarial de motoristas e cobradores em São Paulo e categoria pode entrar em greve

Viações prometem regularizar pagamentos até o final de semana. Situação financeira do sistema de transportes é considerada problemática.

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Motoristas e cobradores de ônibus do sistema municipal de São Paulo não receberam neste dia 6 de junho de 2016 o aumento salarial de 7,5%.
Os salários foram pagos, mas sem o reajuste.
O índice foi acordado com as empresas de ônibus no mês passado durante campanha salarial da categoria. Por dois dias, inclusive, motoristas e cobradores de ônibus fecharam terminais na capital paulista.
O Sindmotoristas, que é o sindicato dos motoristas e cobradores de ônibus, afirmou que a situação é inadmissível e vai cobrar das empresas de ônibus o cumprimento do acordo trabalhista. Se os depósitos não forem feitos até terça-feira, não está descartada possibilidade de greve de ônibus em São Paulo na quarta-feira.
As empresas de ônibus alegam dificuldade de caixa.
Em nota ao Blog Ponto de Ônibus, o SPUrbanuss, sindicato que representa as companhias do subsistema estrutural (concessionárias) diz que as empresas têm enfrentado dificuldades de caixa, mas que devem regularizar a situação até o final desta semana.
As empresas concessionárias do serviço de transporte urbano, por meio do SPUrbanuss – Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo, informam que estão enfrentando problemas de caixa, que inviabilizaram o pagamento dos salários, hoje, dia 06 de junho, com o reajuste acertado de 7,5%.
Todos os salários dos trabalhadores foram pagos nesta data, mas sem a aplicação do índice de aumento sobre os vencimentos de abril/2016. As empresas, assim como outros setores da economia, são afetadas pela crise econômica. Mas deverão normalizar o pagamento desse reajuste até o final desta semana.
O reajuste de 7,5% nos salários deve criar um impacto em torno de R$ 270 milhões no ano, ou R$ 33 milhões por mês, na conta do sistema de transportes, incluindo as concessionárias e as permissionárias, que são as operadoras do subsistema local que surgiram a partir de cooperativas.
Blog Ponto de Ônibus apurou que a situação é ainda mais grave no subsistema local.
Entre as concessionárias, algumas empresas conseguiram empréstimos bancários para realizarem os pagamentos, o que não foi verificado ainda entre a maior parte das empresas que servem os bairros.
A situação financeira dos transportes na cidade de São Paulo é considerada delicada por profissionais do setor.
As viações operam por meio de aditivos contratuais desde 2013 e as empresas que surgiram das cooperativas atuam por meio de renovações emergenciais desde 2014.
Isso ocorre porque a licitação dos transportes na cidade, que deveria ser realizada em 2013, ainda não saiu do papel.
Em 2013, o motivo segundo a prefeitura, foram as manifestações contra aumento das tarifas que fizeram com que o poder público recuasse do modelo apresentado em audiências públicas à época pelo Secretário Municipal de Transportes, Jilmar Tatto.
A licitação só foi aberta no ano passado, mas em novembro o TCM – Tribunal de Contas do Município barrou a disputa apontando uma série de questionamentos acerca dos editais.
Não há previsão para o certame ser liberado.
Alteração da taxa de retorno das empresas e enxugamento de custos, com a eliminação de sobreposições, por exemplo, são alguns dos objetivos da prefeitura com a licitação.
Fonte: por: Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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