sábado, 25 de agosto de 2012

Osasco é ponto de partida de linha clandestina de ônibus até o Piauí

Empresa Transbrasil não tem autorização dos órgãos que regulamentam o transporte de passageiros para operar

Aparentemente é só mais uma das linhas de ônibus rodoviários que saem de Osasco todos os dias. Nas laterais do veículo, a inscrição da empresa Transbrasil adesivada. Ao volante, motoristas com o crachá da empresa.

Mas o que a viagem de 2,6 mil quilômetros até Picos, no Piauí, esconde é um esquema de viagens clandestinas que se espalha pelo Brasil, conforme foi revelado em reportagem especial do programa Fantástico, no último domingo.

A empresa Transbrasil não tem autorização dos órgãos que regulamentam o transporte de passageiros, no País, para operar. Mas entrou na Justiça para tentar ter o direito de fazer viagens de um Estado para outro e, em 2009, conseguiu uma liminar para operar. A partir daí, está “alugando” as licenças de viagens para ônibus particulares, em negociações que envolvem pagamentos médios de R$ 10 mil e que são feitas diretamente com os proprietários dos veículos, a maioria sem qualquer condição de rodar pelas estradas e com motoristas que não são registrados. Até as indicações de datas dos exames médicos, nos crachás, são fraudadas.

Uma equipe do Fantástico acompanhou uma dessas viagens, saindo da rodoviária de Osasco. O primeiro problema é que, de acordo com a liminar, os ônibus só poderiam sair de Cubatão. Mas, na rodoviária da cidade, o guichê está fechado, enquanto na rodoviária do Tietê, opera normalmente. Outro problema é a falta de higiene, com forte cheiro de urina vindo do sanitário. O terceiro é o itinerário, que indica outra rota: Cubatão-Fortaleza, uma das autorizadas pela Justiça.

Mas não para por aí. Depois de 10 horas de viagem, o ônibus para com problemas na mangueira do óleo. Volta para a estrada e, 10 minutos depois, faz outra parada, pois continua vazando óleo. Uma hora depois, estoura uma mangueira e fica difícil usar o freio.

Com esses problemas, a viagem, que deveria durar 39 horas, teve um atraso de quatro horas. E não chega ao destino correto. Para em Oeiras, Piauí, na garagem da Sivi Tur, uma empresa de fretamento. O ônibus e os motoristas são, na verdade, dessa firma, que usa a liminar da Transbrasil. O restante da viagem, de 80 quilômetros, até Picos, é improvisado, de carro.

A empresa que opera a Rodoviária de Osasco, e que também é responsável pela Rodoviária do Tietê, informou que apenas cumpre a ordem judicial que garante o direito de circulação à Transbrasil.
Já o desembargador Daniel Paes Ribeiro, do Tribunal Regional Federal da primeira região, em Brasília, que concedeu a liminar autorizando a empresa a transportar passageiros por cinco linhas, que cruzam o país, afirmou desconhecer que a companhia utilizava a medida para outros fins e afirmou que vai pedir investigação sobre as denúncias.

A empresa é a mesma que, há seis meses, teve um ônibus envolvido em um acidente que matou 36 pessoas, no Nordeste. Até hoje, as famílias de nenhuma das vítimas fatal receberam indenizações.

Já a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) disse que já tinha alertado o desembargador sobre a venda da liminar, enquanto o dono da Transbrasil, que já foi acusado de crimes como formação de quadrilha e estelionato, alegou que a do “aluguel” é feita sem qualquer conhecido de sua empresa. “Já denunciamos inclusive em várias delegacias, pedindo o apoio da polícia para investigar muitos ônibus que colocam o nome Transbrasil nos ônibus, ou TCB, e saem fazendo viagem pelo Brasil afora”, disse.

Fonte: Da redação webdiario.com.br, em 29/05/2012

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