Um dos principais responsáveis pela saída da empresa Himalaia dos transportes em São Paulo, o promotor de Justiça e Patrimônio Público e Social, Saad Mazloum, concedeu entrevista nesta quarta feira ao Blog Ponto de Ônibus, do jornalista da CBN Adamo Bazani, parceiro e amigo nosso.
Saad diz que isto serve de exemplo para outras empresas que operam o sistema, que outras ações devem ocorrer, inclusive à nível da região Metropolitana (EMTU). Sobre os trólebus, o promotor prometeu ficar em cima para que seja cumprido o contrato: 140 novos trólebus.
Veja a matéria na íntegra

EXCLUSIVO: Saída da Himalaia é alerta para outras empresas, diz promotor. NOVIDADES NÃO ESTÃO DESCARTADAS

Saída da Himalaia
Trólebus da Himalaia Transportes S.A. Com a entrada da Ambiental Trans, do Grupo Ruas, a perspectiva é de cumprimento da meta de renovação dos ônibus elétricos em São Paulo, que trazem uma série de vantagens ambientais e quanto ao conforto dos passageiros. O Ministério Público vai acompanhar de perto a renovação da frota e não deve ocorrer o que aconteceu com as garagens Santo Amaro e Brás de trólebus, assumidas pelo Grupo Ruas em meados de 2000, que substituiu os veículos por ônibus convencionais diesel. O promotor Saad Mazloum se atenta para a situação da empresa Novo Horizonte, que faz parte do Consórcio Leste 4, e junto com a Himalaia foi alvo de ação civil pública. Novidades não estão descartadas. Foto: Adamo Bazani.
Saída da Himalaia do sistema é alerta para demais empresas, diz promotor
Saad Mazloum afirmou que vai fiscalizar de perto troca de trólebus e que Novo Horizonte e Happy Play, do Consórcio Leste 4, podem sofrer consequências
ADAMO BAZANI – CBN
Trazer dignidade para a vida de quem depende de transportes por ônibus na Capital Paulista, penalizando quem se propõe e recebe para prestar um serviço e não o faz com qualidade.
Este é o objetivo declarado pelo promotor de Justiça e Patrimônio Público e Social, Saad Mazloum, em entrevista exclusiva nesta quarta-feira, dia 19 de outubro de 2011, ao BLOG PONTO de ÔNIBUS.
A saída da Himalaia Transportes S.A., empresa responsável pela operação de 198 trólebus na Zona Leste de São Paulo e centro da cidade, para o promotor é uma lição a ser aprendida.
“É um alerta para as demais empresas. Não estamos de brincadeira. Qualquer empresa de ônibus que não estiver operando de maneira correta, com qualidade, ou tiver constada alguma outra irregularidade legal pode sofrer o mesmo que a Himalaia” – disse Saad Mazloum ao PONTO de ÔNIBUS.
No dia 11 de março deste ano, o promotor moveu uma ação civil pública contra a Himalaia, o Consórcio Leste 4, ao qual ela integra, e outras empresas que formam o mesmo consórcio: Empresa de Transportes Coletivos Novo Horizonte S.A. e Happy Play Tour Passagens, Turismo e Transportes de Passageiros Ltda.
A ação civil pública foi elaborada depois de dois anos de investigações aproximadamente e tiveram início em denúncias feitas por passageiros sobre a má prestação de serviços das empresas de ônibus que formam o Consórcio Leste 4.
Parte destas denúncias que foram averiguadas eram feitas no Blog do Ônibus, que o promotor mantém na internet e que trata-se de um canal aberto para a população relatar problemas de transportes não apenas da Capital mas também dos ônibus que operam os transportes intermunicipais na Grande São Paulo.
“Temos recebido bastante reclamações sobre os ônibus intermunicipais e estamos encaminhando a EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes) para primeiro eles tomarem ações administrativas, mas se for necessário, o Ministério Público vai intervir para melhoria dos serviços de ônibus intermunicipais” – disse Saad Mazloum.
Além de comprovar má prestação de serviços, na ação, o promotor classifica os serviços prestados pelas empresas do Consórcio Leste 4 comi horrorosos e verifica total incapacidade para atendimento à população.
Não bastasse isso, o promotor verificou uma série de indícios de outras irregularidades, como confusão jurídica de empresas e má administração de recursos advindos das passagens pagas pelos usuários.
Na ação, o promotor Saad Mazloum deixa bem claro que há provas testemunhais e documentais de que: “as demandadas integrantes do Consórcio Leste 4 (Himalaia, Novo Horizonte e Happy Play) estão dilapidando e transferindo seus bens, desviando valores aos sócios e administradores, fraudando os credores e acarretando confusão patrimonial”
A relação entre a Empresa Novo Horizonte e a Cooperativa Nova Aliança, que deu origem à companhia, sempre levantou suspeitas.
Recursos da empresa iam para a cooperativa de maneira pouco clara, apesar de ser uma S.A. e os funcionários serem registrados no Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), no Ministério do Trabalho, a Novo Horizonte, segundo apontam os integrantes da empresa, funciona ainda como cooperativa. Cada membro possui um ou mais ônibus e contratam os próprios funcionários, registrados no nome da Novo Horizonte, mas de responsabilidade dos donos de cada ônibus.
Além disso, apesar de ter vencido a licitação como operadora de transportes na formação do Consórcio Leste 4, a Happy Play Tour não possui sequer um ônibus e mesmo assim recebe repasses superiores a R$ 350 mil por mês pelas contas da Empresa Novo Horizonte.
Além de Himalaia, Novo Horizonte e Happy Play, são alvos da ação civil pública outras pessoas jurídicas e pessoas físicas também:
- Consórcio Leste 4
- Himalaia Transportes S.A.
- Empresa de Transportes Coletivos Novo Horizonte S.A.
- Happy Play Tour Passagens, Turismo e Transportes de Passageiros Ltda
- Himalaia Investimentos e Participações Ltda, que é sócia majoritária da Himalaia Transportes S.A. e é representada por Felipe Ricardo Batista dos Santos.
- Vilson Ferrari sócio proprietário e diretor presidente da Novo Horizonte e sócio proprietário e administrador da Happy Play.
- Antônio Pereira da Silva Sobrinho, sócio priprietário e diretor presidente da Novo Horizonte
- Gerson Adolfo Sinzinger, sócio proprietário e diretor administrativo da Novo Horizonte e sócio proprietário e administrador da Happy Play
- Edmar Vieira Rodrigues, sócio proprietário e diretor administrativo da Novo Horizonte e diretor e tesoureiro da Coopernova Aliança – Cooperativa de Transporte Alternativo Nova Aliança.
- Guilherme Correia Filho, sócio proprietário e administrador da empresa Happy Play
- Paulo Roberto dos Santos, também sócio proprietário e administrador da Happy Play
- Aldari Serrano, Diretor Administrativo da Himalaia
- Ângelo Viera dos Reis, Diretor Operacional da Himalaia Transportes Coletivos
- Antônio Soares também diretor operacional da Himalaia
O promotor disse que acompanha a situação da Novo Horizonte e da Happy Play e que novidades sobre o caso não estão descartadas.
GRUPO RUAS SERÁ ACOMPANHADO DE PERTO:
No lugar da Himalaia, em cerca de seis meses, deve assumir com novo nome e definitivamente as linhas de trólebus a empresa Ambiental Trans.
A Ambiental Trans pertence ao Grupo Ruas, liderado pelo empresário português José Ruas Vaz, dono da maior parte da frota de ônibus de São Paulo, tendo empresas como ViaSul, Viação Campo Belo e Vip – Viação Itaim Paulista, esta última que possui 08 garagens.
“Vamos fiscalizar de perto, rigorosamente e com constância a promessa da empresa de renovar a frota de trólebus de São Paulo. A empresa terá de apresentar metas e ter responsabilidade. estou para receber tudo isso documentado” – disse Saad Mazloum.
A promessa da Prefeitura de São Paulo é que até o final de 2012, 140 trólebus novos substituiriam os antigos (alguns possuem cerca de 20 anos). Apenas 13 trólebus novos entraram em circulação durante todo o mandato de Gilberto Kassab.
O que era certo de que não ocorreria, agora com a entrada do Grupo Ruas pode ser tornar realidade.
O promotor concordou que o fato de o grupo ser dono de uma encarroçadora, a Caio, pode ajudar na renovação da frota. Uma das alegações da Prefeitura e do Consórcio Leste 4 para a não renovação da frota é que a Busscar, antiga fornecedora de carrocerias, tinha parado sua produção por conta de uma grave crise financeira que reduziu o número de empregados.Os funcionários da Busscar que antes tinha 5 mil empregados e hoje conta com menos de mil, não recebem há 19 meses os salários.
A mesma Caio ofereceu no mês passado uma proposta para comprar o parque fabril e o imóvel principal da encarroçadora Busscar por R$ 40 milhões.
A Caio já está produzindo as primeiras unidades de carrocerias de trólebus. Boa parte terá chassi Mercedes Benz, mas há expectativa de serem entregues alguns veículos de 15 metros de comprimento de chassi Scania.
A parte elétrica será fornecida pela Eletra, empresa especializada em ônibus elétricos, de São Bernardo do Campo, do mesmo grupo da Metra, companhia operadora do Corredor ABD, que liga São Mateus (na Zona Leste de São Paulo) ao Jabaquara (zona Sul da Capital Paulista) passando pelos municípios de Santo André, Mauá (Terminal Sônia Maria), São Bernardo do Campo e Diadema.
A fiscalização do Ministério Público pode afastar o medo de alguns especialistas na história dos trólebus da cidade de São Paulo, que contou com mais de 450 veículos deste tipo, de ocorrer o mesmo que aconteceu quando o Grupo Ruas assumiu as garagens de Santo Amaro (zona Sul) e Brás (região central) e aposentou os trólebus destes locais.
Esta “aposentadoria” também teve incentivo do poder público naquela época, me meados da primeira década dos anos 2000.
Vale ressaltar que os trólebus trazem uma série de vantagens para a cidade. Por serem movidos a eletricidade, ele não emitem nenhum poluente atmosférico. O nível de poluição sonora também é muito baixo.
Os veículos são mais confortáveis, duram mais e na relação custo – benefício, apesar de serem mais caros, são considerados vantajosos. Algumas peças duram até cinco vezes mais que em comparação aos ônibus diesel.
O que falta para os trolebus de São Paulo são corredores exclusivos, com pavimento adequado que diminui a trepidação dos veículos e as constantes quedas de alavancas (os pantógrafos que ligam o veículo a rede aérea).
Os novos trólebus que devem ser entregues possuem tecnologia mais avançada que minimiza os problemas.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes