A Secretaria Municipal
de Transportes anunciou a retomada da construção dos corredores de
ônibus na capital. Antigos projetos engavetados por problemas de
planejamento ou irregularidades nos processos licitatórios vão ser
tocados pelo atual governo. Entre eles o da construção de 63,8
quilômetros de faixas exclusivas em regiões como Jardim Ângela, Campo
Limpo, Vila Sônia e os bairros cortados pelas Avenidas Radial Leste e
Inajar de Souza e o da instalação do Bus Rapid Transit (BRT). Este é um
sistema de alta capacidade, que em dezenas de cidades do mundo
proporciona serviços de qualidade, com rapidez, eficiência, redução dos
acidentes de trânsito e de emissão de carbono. O modelo deverá ser
implantado nas Avenidas 23 de Maio e Bandeirantes.
O BRT funciona com
ônibus capazes de transportar aproximadamente 300 passageiros a uma
velocidade média de 45 quilômetros por hora, num trajeto expresso (com
distância maior entre os pontos de parada), em corredor exclusivo
projetado com pontos de ultrapassagem. Tudo é pensado para assegurar
agilidade, começando pelo pagamento da tarifa, que será feito nas
plataformas de embarque e não no interior dos veículos. O traçado do
sistema da Avenida 23 de Maio tem 20 quilômetros e inclui as Avenidas
Rubem Berta, Moreira Guimarães, Washington Luís, Interlagos e Teotônio
Vilela até o Largo do Rio Bonito, na zona sul. Na Bandeirantes, o
corredor de 16 quilômetros ligará a região da Marginal do Pinheiros, na
zona sul, ao Terminal Vila Prudente, na zona leste, sem passar pelo
centro.
O sistema escolhido é
uma forma aperfeiçoada do modelo instalado há quase 50 anos em Curitiba,
que se baseia na prioridade do transporte coletivo e na integração de
todos os modais. Várias cidades do mundo copiaram o modelo e em Bogotá,
na Colômbia, técnicos brasileiros conseguiram aprimorá-lo e fazer do
Transmilênio um novo ícone de eficiência no transporte público que,
agora, se pretende copiar em São Paulo. Espera-se que ele seja
reproduzido aqui em todos os seus detalhes. Em Bogotá, áreas degradadas
ao longo do corredor foram recuperadas e ganharam centros de lazer com
fácil acessibilidade.
São Paulo precisa há
muito de um sistema como o BRT, no qual ônibus de alta capacidade operem
em faixas segregadas, tenham prioridade nos cruzamentos e sejam
monitorados em tempo real por sistemas de rastreamento. Se forem
observadas todas essas condições, será possível alcançar aqui benefícios
de que cidades dos Estados Unidos e da China, por exemplo, já
desfrutam, como a redução do tempo tanto das viagens como de espera nos
pontos de embarque, que são fortes incentivos para a substituição do
transporte individual pelo coletivo. O sistema também ajuda a preservar o
meio ambiente, porque opera com velocidade média constante, reduzindo o
consumo de combustível e as emissões de poluentes. Em Bogotá, logo após
a construção do BRT, a redução do número de acidentes com mortes no
trânsito foi de quase 90% e o nível de emissão de poluentes baixou 40%.
O BRT apresenta boas
características para operar numa cidade que precisa de sistemas que
possam ser implementados com maior rapidez e menor custo do que o metrô.
O custo de construção de um quilômetro de BRT é pelo menos dez vezes
menor do que um quilômetro de linha de metrô. Mesmo se comparado aos
veículos leves sobre trilhos (VLTs), considerados tecnologicamente mais
sofisticados em operações urbanas, o BRT ainda leva vantagem, porque
exige metade dos investimentos com pequena diferença de capacidade de
transporte de passageiros por hora.
Quanto ao tempo de
construção, o de um corredor operado pelo sistema BRT é dois terços
menor do que o do metrô e metade do exigido pelo VLT. Essa relação de
custo e tempo de instalação é atraente, inclusive para consórcios
interessados em parcerias público-privadas.
A escolha do sistema,
portanto, parece adequada. Resta agora o atual governo se empenhar, como
promete, para que esses projetos finalmente se tornem realidade.
Fonte: Blog Meu Transporte - Informações: Estadão

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