quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

População está insatisfeita com falta de prioridade ao transporte público

População está insatisfeita com falta de prioridade ao transporte público, revela pesquisa.

Nossa São Paulo
Dados da mais recente pesquisa sobre bem estar em São Paulo, feita pelo Ibope a pedido da Rede Nossa São Paulo, deixam claro que população quer prioridade ao transporte público e desaprova restrição de fretados. Reprodução
População de São Paulo está insatisfeita com a falta de prioridade ao transporte público
Nível de descontentamento pelo fato de não haver espaços para ônibus aumentou. População desaprova restrição a ônibus fretados
O resultado da Pesquisa sobre bem estar na cidade de São Paulo, feita pelo Ibope a pedido da Rede Nossa São Paulo, é um recado claro para os administradores públicos: a população quer mais prioridade para os transportes coletivos no espaço urbano e está insatisfeita com a restrição de circulação dos ônibus fretados.
Para a elaboração do IRBEM – Indicadores de Referência do Bem-Estar no Município, o Ibope ouviu 1512 pessoas, com idades superiores a 16 anos, entre os dias 24 de novembro e 08 de dezembro.
Foram avaliadas diversas áreas que refletem na qualidade de vida, como lazer, saúde, educação e trânsito e mobilidade urbana. A população deu notas de zero a 10 para cada uma destas áreas.
Na questão da mobilidade, fica claro que o povo já está consciente de que o setor só vai melhorar se os ônibus tiverem prioridade no espaço urbano. E a insatisfação quanto à falta de prioridade piorou de 2011 para 2012.
Em 2011, a prioridade que o transporte coletivo recebe no sistema viário recebeu nota 4,4, muito baixa. Mas em 2012, esta nota baixou ainda mais e foi para 3,9.
Isso mostra que a construção de corredores de ônibus é um anseio cada vez maior e urgente da população.
A falta de prioridade aos transportes coletivos reflete no tempo de espera pelos ônibus. Algo que a pesquisa também revelou.
A nota para o tempo de espera pelos ônibus nos pontos caiu de 4,6 em 2011 para 4,1 em 2012. O resultado é lógico. Sem nenhum tipo de prioridade, um ônibus que pode levar de 70 a 100 pessoas num espaço de até 15 metros de comprimento, fica preso no mesmo congestionamento enfrentado por um carro que ocupando 4,32 metros só leva uma ou duas pessoas. É uma questão de democracia no espaço urbano o privilégio ao transporte coletivo. A maioria que ocupa menos espaço deve ser beneficiada.
O tempo médio de espera nos pontos caiu de 22 para 21 minutos, ficando praticamente estável. De acordo com a pesquisa, 70% dos entrevistados usam ônibus. Noventa e sete por cento das pessoas ouvidas declaram que possuem linha de ônibus perto de casa. Ou seja, a rede de ônibus satisfaz, mas os ônibus precisam fluir.
E para ver como os dados são tão relacionados que, assim como a falta de prioridade ao transporte coletivo faz o tempo de espera dos ônibus aumentar, ela aumenta também o tempo de deslocamento na cidade, tanto para quem usa carro ou ônibus.
Neste quesito, a nota em 2011 foi 4,4. Em 2012, caiu para 3,8.
Isso porque, sem transportes coletivos rápidos e confortáveis, muita gente se desloca de veículo próprio, o que aumenta os congestionamentos e a poluição.
A insatisfação com a tarifa de ônibus mostra também a necessidade de prioridade ao transporte público. A nota caiu de 3,8 em 2011 para 3,6 em 2012. Sem espaços exclusivos, os ônibus gastam mais peças, combustível, fazem menos viagens e para transportar a demanda de passageiros, é necessário colocar mais ônibus no sistema, o que aumenta os custos, refletindo na tarifa.
A população é tão favorável ao transporte coletivo que a reprovação à restrição aos ônibus fretados, imposta pela gestão de Gilberto Kassab, cada vez mais recebe reprovação. A nota para restrição caiu dos já baixos 4,3 para 4,1.
Muita gente se diz disposta a deixar o carro em casa, o que ajudaria a diminuir o tempo de deslocamento na cidade, se um ônibus fretado chegasse próximo de onde trabalha e estuda. O público do ônibus fretado é diferenciado e muitas destas pessoas dificilmente usariam transportes convencionais nos atuais moldes. Assim, ônibus fretado também ajuda na mobilidade urbana.
O paulistano também quer mais metrô. Em 2011, o tamanho da rede em São Paulo recebia nota 5,9. Em 2012, esta nota caiu para 5,4. O metrô, entretanto, deve ser integrado e complementado pelos ônibus, já que não é possível expandir o metrô para todas as áreas da cidade.
Os números que são levantados de maneira técnica e séria pelo Ibope e Rede Nossa São Paulo deixam claro: a população quer transporte coletivo!
A pesquisa foi divulgada nesta quinta-feira, dia 16 de janeiro de 2013

Fonte: , por: Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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