Poder público é responsável pelo financiamento dos serviços de ônibus. Com isso, população começar a sentir estimulada a deixar o carro em casa, garante governo local.
Com uma população de 420 mil habitantes, número semelhante aos moradores de Mauá, na Grande São Paulo, por exemplo, a cidade de Tallin, capital da Estônia, trouxe uma inovação aprovada pela população e que tem surtido efeito na questão da mobilidade urbana.
O poder público, por impostos e subsídios, após referendo realizado em março de 2012, financia os serviços de ônibus e trólebus e os moradores da cidade não pagam tarifa.
No plebiscito, 75,5% dos habitantes votou pela gratuidade total dos transportes, que entrou em prática no dia 1º de janeiro deste ano.
A lógica é simples: os transportes públicos beneficiam a todos numa região, tanto quem anda como quem não anda de ônibus. Isso porque, se não fosse o transporte público, o trânsito, a poluição e o número de acidentes automobilísticos seriam maiores.
Em prol de uma mobilidade urbana melhor, a população aceitou que todos pagassem pelos benefícios dos transportes coletivos.
O resultado, segundo o governo local, não poderia ser melhor. Com tarifa zero, mais pessoas começaram a andar de ônibus, o que melhorou o trânsito.
Tanto é que em 09 de janeiro, a Câmara aprovou a compra de mais ônibus.
Tallin possui hoje 63 linhas de ônibus, 9 de trólebus e 4 de bondes (VLT – Veículos Leves sobre Trilhos)
Antes da gratuidade total, as receitas das tarifas só financiavam 25% do sistema, que, portanto, era deficitário.
Agora com os subsídios, os serviços atraem mais passageiros e até o momento estão economicamente viáveis.
O transporte é gratuito para todos os moradores de Tallin e qualquer pessoa com 65 anos ou mais. Quem for se mudar para a cidade, paga apenas uma taxa de 2 euros por um cartão, se cadastra na internet, e tem direito à gratuidade.
Pequenas cidades da França e da Bélgica já adotam tarifa gratuita total, mas Tallin e a primeira capital européia.
E NO BRASIL?
Pela estrutura complexa de muitas cidades brasileiras, altos custos devido à falta de prioridade aos transportes públicos no espaço urbano e pela necessidade de reestruturações nos sistemas, pensar num curto prazo em tarifa gratuita pode não ser viável. Além disso, a maior parte das operações de transportes é feita por empresas particulares.
Mas o exemplo de Tallin que pode ser seguido pelo Brasil é que, se bem aplicados, os subsídios e descontos de impostos sobre os serviços de transportes, podem resultar num barateamento da mobilidade para a população, para os operadores de transportes e até mesmo para as administrações.
Quando o poder público estipula um subsídio ou mesmo uma renúncia fiscal sobre o sistema, ele se planeja e sabe o quanto vai aplicar no transporte, sem a necessidade de correr atrás de recursos caso o sistema se torne deficitário.
O ganho ao poder público se dá de outra maneira também. A falta de prioridade ao transporte coletivo gera gastos enormes para os cofres públicos, que vão desde criar e manter mais vias até gastos com saúde por causa da poluição e dos acidentes de trânsito.
O transportador já sabe que vai receber determinada quantia e com essa segurança, se vê obrigado a investir tanto em frota como em qualidade de serviço.
A população paga de maneira justa, em forma de impostos, pelo transporte. O Brasil precisa deixar de jogar sobre os ombros dos passageiros todo o custo de um serviço que beneficia a sociedade em geral.
Com o transporte já pago, todos se sentem estimulados a andar de ônibus, o que acaba incluindo muita gente no sistema. E isso é fundamental no Brasil.
É para se alarmar: ENQUANTO O GOVERNO REDUZ O IPI PARA MUITOS TROCAREM DE CARRO OU TEREM O SEGUNDO VEÍCULO, MILHARES DE BRASILEIROS SEQUER TEM CONDIÇÕES DE PAGAR UMA TARIFA DE ÔNIBUS.
Não seria justo que esta pessoa que goza de IPI menor para comprar um carro novo, de certa maneira, contribua para quem sequer tem dinheiro para pegar um ônibus?
Fonte: Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes
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