domingo, 17 de fevereiro de 2013

Atoleiros fazem empresas suspenderem linhas de ônibus em Mato Grosso

Cidades inteiras continuam isoladas por causa dos atoleiros

ARTIGO:
ônibus atolado
No País que a iniciativa privada é incentivada a participar de projetos de transportes caros, pontuais, que levam muito dinheiro público, mas que dão mais visibilidade, milhares de pessoas em comunidades que necessitam de investimentos ficam isoladas por má condições das estradas que impedem a circulação de ônibus e caminhões. No Brasil do trem bala, tem gente passando fome porque o caminhão não conseguiu chegar à cidade com alimentos e gente doente que não tem linha de ônibus para ir até o médico. Foto: Marcos Di Perez.
Atoleiros fazem empresas suspenderem linhas em Mato Grosso
Situações das estradas são precárias e viagens que demoravam oito horas eram feitas em quatro dias
Enquanto o Governo Federal tenta implementar o trem bala entre as capitais mais ricas do País, São Paulo – Rio de Janeiro, ao custo real de R$ 55 bilhões, milhares de quilômetros de estradas estão em situações precárias que isolam a população em diversas regiões do País. Muita gente está passando fome porque o caminhão não consegue chegar com comida. Muitos doentes não podem ir ao médico porque os ônibus não conseguem trafegar.
Um exemplo é o que tem ocorrido nesta semana em Mato Grosso.
Por causa do período de chuva, a MT 170, MT 183 e MT 206 estão intrafegáveis e se tornaram verdadeiros atoleiros por onde já ficaram retidos na semana passada, dezenas de ônibus, caminhões e carretas, que pelo peso maior, são os tipos de veículos mais sujeitos a literalmente afundarem na lama.
Diversas linhas intermunicipais rodoviárias que servem o noroeste do Mato Grosso estão suspensas sem prazo para a volta: tudo depende do tempo e da boa vontade do poder público em realizar a manutenção destas estradas. Mesmo sendo estaduais, o Governo Federal tem a obrigação de oferecer ajuda, já que são de interesse regional e investir em acesso para os transportes é uma forma não hipócrita e midiática de combater de fato a miséria.
Entre as linhas suspensas estão: Juína – Cotriguaçu, Juína – Jurena, Juína – Nova União, Juína – Colzina e Juína – Aripuanã. Só a linha para Cotriguaçú, cujo trajeto era percorrido em 8 horas, demorava quatro dias para ser completada.
Seis municípios atendidos por estas estradas declararam estado de emergência: Alta Floresta, Aripuanã, Nova Bandeirantes, Cotriguaçu, Juruena e Colzina.
Pontes foram arrancadas pela força da água, rios transbordaram e comunidades inteiras estão isoladas. Os ônibus não conseguem transportar os moradores e os caminhões não podem sequer chegar para distribuir alimentos. Já há falta de comida, gás de cozinha, água potável e combustível.
Só na comunidade do Distrito de Conselvan, a 80 quilômetros de Aripuanã, seis mil pessoas estão isoladas há cerca de duas semanas.
Nem Governo do Estado e Governo Federal demonstraram até agora interesse em resolver (e não apenas remediar) a situação definitivamente, ou com recursos públicos ou atraindo a iniciativa privada com os mesmos benefícios que concede para outros projetos na área de transportes que atraem mais mídia.

Fonte:   por: Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.Informações TV Cento América/Globo/G1

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