| Metrô em São Paulo. Metroviários e ferroviários da CPTM não param nesta terça-feira. Foto: Adamo Bazan |
Metroviários tomaram a decisão em assembleia. Negociações entre a CPTM, TRT e trabalhadores continuam
O Metrô de São Paulo não vai entrar em greve nesta terça-feira, dia 04 de junho, assim como as linhas 8, 9, 11 e 12 da CPTM. No caso do Metrô, a greve está totalmente descartada e no da CPTM restam negociações.
Em assembléia realizada nesta noite, os metroviários decidiram fechar acordo com a empresa do Metrô.
Na tarde desta segunda-feira, dia 03 de junho, no Tribunal Regional do Trabalho, da Segunda Região, a oferta do metrô passou de 6,45% para 6,95% e, finalmente, em torno de 8%, sendo 5,37% e mais 2,5% de índice de produtividade. Já o Tribunal sugeriu 8,06% de reajuste. Os metroviários, que chegaram a pedir 14,16% de aumento (entre reposição de inflação e reajuste real).
O presidente do Metrô de São Paulo, Peter Walker, participou da reunião, algo inédito desde quando a companhia dos metroviários foi criada. O presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino Prazeres, disse que o índice não atendeu às expectativas da categoria, mas disse que a negociação trouxe alguns avanços.
Peter Walker afirmou que não é possível oferecer um aumento maior porque o Metrô opera no limite financeiro, devido ao adiamento do reajuste da tarifa de fevereiro para o dia 02 de junho, a pedido do Ministro da Fazenda, Guido Mantega, que teme perder o controle da inflação, ainda mais em época de crescimento econômico praticamente inexpressivo.
O presidente da Companhia do Metrô ainda disse que não é possível oferecer reajuste salarial acima da inflação porque, já contando com mais uma medida de controle do Governo Federal, a desoneração do PIS/Cofins da receita das empresas de transportes públicos, o reajuste da tarifa de R$ 3,00 para R$ 3,20 foi abaixo dos índices inflacionários. Peter Walker disse que 93% do faturamento do Metrô são provenientes da venda de créditos e bilhetes e que a folha de pagamento responde por 75% dos custos da companhia.
Diariamente o metrô de São Paulo transporta cerca de 4,6 milhões de pessoas. Nas linhas estatais, operadas pelos trabalhadores que realizaram a assembléia, são 58 estações, distribuídas pelos seguintes trajetos:
Linha 1 Azul (Santana – Tucuruvi), Linha 2 Verde (Vila Prudente – Vila Madalena), Linha 3 Vermelha (Itaquera – Barra Funda) Linha 5 Lilás (Capão Redondo 0- Largo Treze). A linha 4 Amarela (Luz – Butantã) pertence à iniciativa privada, Consórcio Via Amarela, não é contemplada pela categoria que realizou a assembleia.
No caso de ameaças de greve, os passageiros devem se programar em relação a itinerários e horários, usando ônibus como opção. É possível saber de rotas de ônibus pelo site da SPTrans, informando origem e destino (http://www.sptrans.com.br/ ) ou pelo telefone da Prefeitura de São Paulo, 156. Também é possível saber de itinerários de ônibus intermunicipais pelo site da EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (http://www.emtu.sp.gov.br/EMTU/home.fss ) O telefone da EMTU é: 0800 724 05 55
TRT DETERMINA FROTA EM CIRCULAÇÃO EM CASO DE GREVE:
O Tribunal Regional do Trabalho determinou que em caso de greve, os metroviários coloquem em operação 100% da frota nos horários de pico, das 6h às 9h e das 17 h às 19 h. Fora dos horários de pico, a frota deve ser de 70%.
REIVINDICAÇÕES INICIAIS DOS METROVIÁRIOS:
A categoria pediu inicialmente 14,16% de aumento real, acima da inflação, além de 7,30% de reposição salarial.
O metrô ofereceu 5,37% de reajustes totais nos salários.
Os metroviários querem aumento de 24,3% no Vale Refeição. O metrô ofereceu também 5,37% Os profissionais pleiteiam vale-refeição de R$ 382,71 e o metrô também propôs aumento de 5,37%.
Jornada de 36 horas e equiparação salarial para todos os cargos também são outras reivindicações do Sindicato dos metroviários.
Na semana passada, também em assembléia, o Sindicato dos Metroviários tinha dado um indicativo de greve.
TRENS DA CPTM:
Os ferroviários da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – decidiram nesta segunda-feira a suspender o indicativo de greve mediante novas negociações a partir desta terça-feira, dia 04 de junho.
Os funcionários da CPTM são representados por três sindicatos por causa das origens das linhas.
Os trabalhadores das linhas 8 Diamante (Júlio Prestes – Itapevi) e 9 Esmeralda (Osasco – Grajaú) são representados pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Sorocabana. A Companhia Estrada de Ferro Sorocabana foi criada em 02 de fevereiro de 1870 por empreendedores da região de Sorocaba liderados por Luis Mateus Maylasky, comerciante de algodão. O primeiro trecho da ferrovia foi inaugurado em 10 de julho de 1875.
Já os trabalhadores das linhas 11 Coral (Luz – Estudantes) e 12 Safira (Brás – Calmon Viana) são representados pelo Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil. A Central do Brasil foi criada na época do império e o primeiro ramal foi inaugurado em 29 de março de 1858. O nome era Estrada de Ferro D. Pedro II. A linha foi se expandindo por vários ramais. Quando ocorreu a proclamação da República, em 1889, o nome foi alterado para Estrada de Ferro Central do Brasil, no dia 22 de novembro.
A linha chegou a cidade de São Paulo somente em 1890, quando foi incorporada a Companhia São Paulo e Rio de Janeiro, que ligava as cidades de Cachoeira Paulista e São Paulo.
Esses dois sindicatos realizaram assembleias.
Os trabalhadores das linhas 7 Rubi (Luz – Francisco Morato) e 10 Turquesa (Brás – Rio Grande da Serra) são representados pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de São Paulo.
As linhas correspondem a antiga SPR – São Paulo Railway, empresa de capital inglês que começou a operar em 16 de fevereiro de 1867, depois de investimentos e idealização de Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá. Foi a primeira ferrovia paulista a ser construída e servia inicialmente para escoar a produção do principal bem comercial do Brasil no século 19, o café, até o Porto de Santos.
O sindicato destes funcionários entrou em acordo com a CPTM e aceitou a proposta de plano de carreiras e salários e aumento salarial de 6,97%
A CPTM foi fundada em 28 de maio de 1992. Ela assumiu as operações da Companhia Brasileira de Trens Urbanos – CBTU [Superintendência de Trens Urbanos de São Paulo - STU/SP] e pela Ferrovia Paulista S/A – Fepasa..
Em 1994, a CPTM efetivamente começou a operar as Linhas 7-Rubi e 10-Turquesa [antigas A e D] e 11-Coral e 12-Safira [antigas E e F], que pertenciam à CBTU. Em 1996, passou a controlar os serviços da Fepasa, com as antigas Linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda [antigas B e C].
A CPTM possui seis linhas, que atendem 22 municípios, transportando 2,6 milhões de pessoas por dia, numa malha de 260,8 quilômetros.
Fonte: por: Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes
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