| Por causa de briga sindical, já houve assassinatos, tiroteio, tumultos e terminais fechados. Entidade movimenta muito dinheiro. Foto: Uol |
BRIGA SINDICAL ENVOLVE MILHÕES DE REAIS:
Definitivamente a briga pelo controle do Sindimotoristas – Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de São Paulo não tem como principais motivos questões ideológicas ou a sede pela representatividade de uma categoria.
O Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus em São Paulo movimenta por ano milhões de recursos.
Mas reportagem do jornal O Estado de São Paulo relembra uma série de denúncias sobre movimentações ilegais de muito dinheiro por parte da atual diretoria do Sindicato e da ala de oposição.
Presidente do Sindicato desde 2004, Isao Hosogi, o Jorginho, é acusado pelos adversários de desviar R$ 500 mil por mês de contratos de planos de saúde, compras de cestas básicas e convênios com farmácias, mercados e outros estabelecimentos. Assassinatos de sindicalistas e de motoristas nas portas das garagens foram atribuídos a esta denúncia.
Jorginho teria, segundo a oposição, uma casa de alto padrão em Itanhaém e outra em Ilha Bela, no Litoral de São Paulo, além de um patrimônio de R$ 16 milhões.
Já a situação acusa os oposicionistas de diversas irregularidades e envolvimento em vários crimes.
Um dos “cabeças” de chapa de oposição, “Valdevan Noventa” há cerca de cinco meses, antes de romper com Jorginho, era diretor justamente de finanças do sindicato.
Ele foi investigado por suspeita de “lavar” dinheiro do tráfico de drogas da favela do “Paraisópolis” em lotações da cidade de Taboão da Serra.
O vice dele, Edivaldo Santiago, que esteve à frente de uma das maiores greves de ônibus da cidade de São Paulo, era parceiro de Jorginho. Ele também é suspeito de enriquecimento ilícito.
Há ainda poucas investigações sobre a atuação de sindicalistas.
Também há suspeitas de relacionamentos irregulares, onde o dinheiro fala alto, entre o Sindicato e funcionários de diversos escalões da SPTrans, da Secretaria Municipal de Transportes e até de empresas de ônibus.
A “caixinha” de R$ 5 mil para pretendentes a vagas em diversas funções na Via Sul Transportes, envolvendo membros do sindicato, nunca foi levada a sério pelas autoridades responsáveis por investigações.
Nos últimos dois anos, há registros de pelo menos 19 mortes com suspeitas de envolvimento direto em questões do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus.
Pelo imposto sindical, a receita é de R$ 1,4 bilhão.
Nos últimos dois dias, o Sindmotoristas (oposição e situaçção) protagonizou cenas lamentáveis.
Na noite desta quarta-feira, a retirada de urnas na sede da entidade, na Liberdade, região central de São Paulo, foi marcada por tiroteio, bombas e muita agressão.
Na manhã do mesmo dia, a briga sindical prejudicou os passageiros. A ala de oposição fechou 16 terminais de ônibus, prejudicou cerca de 500 linhas e 750 mil passageiros.
Todas estas cenas, podem esconder uma verdadeira indústria que movimenta mais dinheiro do que muitas empresas que não gozam dos privilégios fiscais concedidos aos sindicatos.
Fonte: por: Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes
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